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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A poesia vibrante de Rosângela A. de Castro - Literatura, já 5

Eu, ao fundo, e a poeta Rosângela A. de Castro no REDEFEM, 2001,
Niterói, onde apresentei trabalho sobre a escritora Ondina

Ferreira. Os rostos das outras pessoas foram tampados
porque não foram avisadas da postagem da foto.

Eliane F.C.Lima

A poeta, cujos textos dou a público, e que continuará a se revelar em "Palavras sobre Palavras 6", é uma amiga muito querida. Conversar com ela sempre foi uma experiência e tanto. Eu saía das conversas enriquecida. Assunto de gente inteligente, uma cabeça de idéias arejadas. A poesia dela é um retrato fiel de quem ela é. Nunca vi ninguém que se dissesse tanto em textos: sua linguagem é seu conteúdo. Apresento-lhes Rosângela Abrahão de Castro.

Poema I

Mulheres gregas

Rosângela A. de Castro

e me rasgo em melodias
me costuro em alegrias
vãs
rota a alma
que não se quer nova
e perfeita

não me basta
ser penélope!



Poema II De noite - com Drummond

Rosângela A. de Castro que é isso de amar
quando mesmo purifica
arde faz uma ferida

que é isso de amar
que chateia e apurrinha
que me faz bem mesquinha

que é isso de amar
me acorda a toda hora
vira a cabeça e transtorna

que é isso de amar

bota pra dormir mais cedo
o faro do que dá medo

que é isso de amar
faz andar no fio da navalha
mas não há nada que valha
isso de muito amar


Poema III

Quebra-cabeça

Rosângela A. de Castro

Foi um deus-nos-acuda
sai de baixo
corre-corre
o beijo
o alvoroço
a pele aos saltos
o salto alto
nas nuvens
caí da cama
caí de cama
é cama-de-gato
a corda bamba
caramba
quase entro bem
entrei
pelo cano
saí de fininho
o trrriiimmm
o cheirinho
de novo
de salto alto
o gozo
o ui
manhã
os carros vão passando e eu esperando pra atravessar
eu sabia!
de novo
o outro
o mesmo
calor
cansaço
mente sempre
é o jeito
assim não dá
haja saco
haja papo
cuidado, uma palavra pode pegar!
pegou!

o amor é um triz.

Poema IV
Rosângela A. de Castro

nada que está fora
me preenche
o que me devora
de repente

enche de discórdia

o senso
lato e escrito

que a memória

aprisiona


Poema V

Rosângela A. de Castro

Querendo acertar no alvo do incerto
acertei a mosca do desassossego.

Mas desde sempre o que queria
Era descobrir aquela ferida antiga

E assim meio que distraída
Escorregar o cotovelo

Só pra ver teu sangue escorrendo
Doce denso imensa poça
Onde eu possa descansar.


Poema VI

Rosângela A. de Castro

a pérola
no fundo daquela ostra
tão rara
tão cara
e bela

o amor
no fundo do nosso tempo
só nosso
tão caro
doce
e belo

o beijo
no mundo da tua boca
tão calmo
tão mágico
doce
e terno






2 comentários:

Anônimo disse...

Caramba, como sou leso! Acabo de constatar que levei 30 anos para descobrir que a minha queridíssima Rosinha Abraão é uma poeta das boas!!!

Bem, mas ela sempre me traiu dizendo que não sabia escrever...
E só mandando ver, lá, na sua torre de marfim... (do meu Castelo de Axel, que ela pegou há milênios e nunca mais me devolveu!)

Parabéns, Eliane, pela inédita e pioneiríssima publicação!

Bjs

Antonio Claudio "Tutuca" Zamagna

Beth disse...

Rosangela, obrigada por me convidar a conhecer seus poemas, belíssimos! Eliane, apesar de não te conhecer, queria registrar que adorei seu blog, sou professora de Biologia e amante de poesia. Um grande abraço, Beth.