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terça-feira, 10 de novembro de 2009

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Começou, em setembro, um movimento popular de fiscalização da política nacional. Tem como objetivo acompanhar desde as campanhas políticas até o que está sendo realizado, depois, a partir daquilo que fez parte das promessas de campanha. Seu nome é "Moralizar". Iniciou-se em Minas Gerais, mas a intenção é se estender a todo o Brasil. Tenho um amigo que é "ponta de lança" do movimento e tem me pedido sugestões de textos. Como professora que sou, preocupada com a clareza e com didática, escrevi o texto abaixo para que ele use - se quiser usar - como achar melhor.

"Nosso país já tem 500 anos de vida e 187 de independência. Não somos mais crianças em termos de cidadania. Mesmo uma criança, hoje em dia, já não aceita que as combinações feitas pelos adultos sejam descumpridas. Nem elas acham graça nisso ou ficam indiferentes. Já sabem protestar de todas as formas.
As palavras daqueles que pretendem se eleger são um contrato assinado com o povo: ações futuras em troca do voto. Não é no candidato que votamos, mas em suas realizações no governo. Acordo bilateral – povo/candidato – não cumprido merece as punições legais. Exigir o cumprimento da palavra dada em campanha é o caminho da lei. Não votar nunca mais naquele político é o caminho do cidadão adulto e inteligente."

Se hoje em dia já há muitos organismos que lidam com a DEFESA DO CONSUMIDOR, o que prova que o povo perdeu a timidez e exige seus direitos, devemos entender que aquilo que um candidato político coloca em sua campanha, se votado e eleito, passa a ser um "direito do consumidor" também, pois ele vai receber salários pagos com o nosso dinheiro. Não importa o partido que o eleito tenha, se é diferente do nosso: eleito, passa a fazer parte do interesse de todo mundo, objeto da fiscalização de todo mundo. Um prefeito em quem não votei, se está lá, é meu prefeito também, e vai ter de fazer o que disse que faria. Foi o contrato estabelecido para ganhar votos.
Vamos, como povo, finalmente tomar o poder. Exigindo o cumprimento da palavra dada. Se você concorda com isso, mobilize-se. Vamos arquivar os jornais onde os candidatos derem suas declarações. O que podemos fazer é, no mínimo, eliminar os "tratantes" (pessoa que age com velhacaria) das futuras eleições. O e-mail do "Moralizar" é moralizar@yahoo.com.br.
Não entender de política ou não gostar dela não faz a menor diferença: as ações dos desonestos eleitos caem sobre todas as cabeças. O poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898 -1956) diz, mais ou menos isso, em seu famoso texto:

O Analfabeto Político

Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Atualíssimo e verdadeiro. Se for possível, entre no movimento criado ou inicie um movimento parecido em seu município. Antigamente acreditávamos que o que interessava era por QUEM seríamos governados. Hoje sabemos que o que importa é COMO seremos governados. E quem vai decidir isso, agora, somos nós!

Um comentário:

Giacomo disse...

Cara Eliane,
fui ao seu blog buscando a "Dona Doida da Adélia" e voltei com o Belo belo do Bandeira"!!!
Gostei muito!
Vou visitá-la sempre!
Gilberto (ecce ars)