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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Literatura de ontem 1

Este espaço está reservado para textos literários do passado. Mas ele não pretende apenas reproduzir. Pode ser acompanhado de informação ou comentário. A escolha se faz para trazer algo de novo, para ligá-lo, além da literatura, à vida presente.

Manuel Bandeira, minha bisavó e o folclore

Manuel Bandeira nasceu em 1886 e morreu em 1968. Foi contemporâneo, portanto, de minha bisavó materna Emerentina (1873/1961). Quando era eu menina, a doce velhinha me ensinou uma canção, que, só descobri depois de adulta, era folclórica. Isso se deu ao iniciar meus estudos de Literatura Brasileira e encontrar o poema "Belo, belo" de Manuel Bandeira. Concluí, então, que ambos beberam nessa fonte popular. Como acho esse dado importante, não só para os amantes de Bandeira, como para os que amam este nosso país, coloco abaixo a letra da canção, vinda, no mínimo, do século XIX - quando for possível edito a gravação da melodia - e o poema do escritor, que usa os dois primeiros versos da canção coletiva. É fundamental a preservação de nossa memória. Recomendo, ainda, a leitura de seu outro poema "Belo, belo", posterior, e do livro de mesmo nome.

Canção popular

Belo, belo, belo, tenho tudo quanto quero,
tenho três meninas vestidinhas de amarelo.
Roque, roque, roque, vamos todos a São Roque,
Vamos ver velhinhas vestidinhas de capote.


Belo, belo

Manuel Bandeira

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo - que foi?passou - de tantas estrelas
[cadentes.

A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

Um comentário:

Punksauro Nei disse...

Benedita Emerentina
que cantou com o poeta,
aprendeu desde menina
e tal qual, ensinou a neta.

Belo, bela, belas.

Nei